Barulho dos fogos incomodam cães e crianças autistas; confira as explicações de especialistas



Réveillon, Copa do Mudo, São João ou comemorações pelo título do time no campeonato, os fogos de artifícios sempre aparecem para abrilhantar, fazer barulho e também amedrontar. Para os animais e pessoas com autismo, os fogos são tidos como vilões. O Cartaz da Cidade conversou com uma veterinária e uma psicóloga para saber como os cães e os autistas sofrem com a questão dos barulhos dos fogos.


Relatos de cães fugindo ou até morrendo devido ao barulho dos fogos costumam aparecer na internet. O mais recente aconteceu na cidade de Diamantina, em Minas Gerais, durante a comemoração do título do Campeonato Brasileiro pelo Atlético-MG. A ONG ‘Me Adota’ relatou o fato em sua rede social e afirmou que seis cães morreram em decorrência de ataque cardíaco por conta dos fogos de artifício.





Segundo a veterinária Hanna Sá, o barulho dos fogos, além de incomodar os cães, pode ser um fator estressante também para gatos e aves. “Por possuírem uma audição mais aguçada, com maior sensibilidade ao barulho, a queima de fogos pode desencadear uma sensação elevada de medo e estresse nesses animais, que tem como consequência a ocorrência de vômitos, desmaios, tremores, diarreia e até mesmo convulsões, caso o animal já tenha uma doença pré-existente”, explicou.


Bárbara com Tuck, a bióloga cuida de 10 gatos e dois cachorros.

Esse incomodo com os fogos é vivenciado pelos ‘pets’ da bióloga Bárbara Silva. “Minha cachorra ficava apavorada, se tivesse uma brecha pra ela sair, saia correndo na rua sem rumo. Ela chorava e batia na porta do quintal para entrar em casa e se esconder em algum lugar, nesse caso quando ela estava no quintal e soltavam fogos eu abria pra ela entrar”, comenta Bárbara, que possui 10 gatos, dois cachorros e cuida de alguns animais em situação de rua.









Hanna orienta que “no momento da queima de fogos, é importante deixar o animal solto (sem coleiras e guias para evitar acidentes) em um cômodo fechado mais aconchegante e protegido do barulho, supervisionando sempre e fazendo companhia a ele”, e alerta sobre o uso de florais e calmantes, “só podem ser utilizados quando prescritos por um médico veterinário”.


Já no caso de pessoas com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) - condição de saúde caracterizada por déficit na comunicação social e comportamento - a psicóloga Valeria Frota ressalta que “quando expostos ao barulho de fogos de artifícios alguns autistas podem apresentar sofrimento psíquico através de picos de agitação, desregulação emocional, choro, irritabilidade entre outros, pois é uma exposição a estímulos aversivos”.




Valéria ressalta que, durante os fogos, é preciso estar perto da pessoa com autismo, dando apoio e suporte, além da importância da preparação do ambiente. "Podemos pensar em barreiras físicas, como abafadores, fones com estímulo que seja agradável para o autista, sons e vídeos que ele já conhecem e tenha familiaridade, buscar o cômodo da casa que seja mais isolado e trabalhar com antecedência esse evento."