Após decisão de desmonetização pelo TSE, canais Bolsonaristas apagam vídeos



Ao menos 25 canais no YouTube alinhados ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) apagaram ou tornaram privados 263 vídeos com opiniões sobre às eleições brasileiras e as autoridades da Justiça Eleitoral e do Tribunal Superior Eleitoral (STF). A limpeza ocorreu após a decisão do ministro Luis Felipe Salomão, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que suspende os repasses de recursos financeiros de plataformas digitais a canais investigados por propagar informações contrárias às do tribunal eleitoral.


O monitoramento foi feito pela empresa de análise de dados Novelo Data, que filtrou as publicações a partir de palavras-chave para chegar aos números, como os nomes dos tribunais e de seus ministros, além de referências às urnas eletrônicas.


Na lista estão dois canais ligados ao youtuber bolsonarista Fernando Lisboa, conhecidos como Vlog do Lisboa, que foram alvos da determinação do TSE e somam mais de 800 mil seguidores. Foram excluídos dois vídeos, um deles com referências à live de Bolsonaro com alegações de fraude nas urnas e outro vídeo intitulado “Lula só GANHA com Fraude nas Urnas”.

Entenda


O ministro Luis Felipe Salomão, corregedor-geral da Justiça Eleitoral, determinou na última segunda-feira (16) a suspensão do repasse de valores de monetização de redes sociais a canais e perfis dedicados à propagação de informações não oficiais e comprovadas sobre o sistema eleitoral brasileiro. Veja aqui a decisão na íntegra.


Os valores envolvem inscrições de apoiadores, adesão a lives, pagamento de publicidades e serviços de doações no YouTube, Twitter, Facebook, Instagram e Twitch. As plataformas também foram ordenadas a demonstrar os ganhos auferidos pelos canais, perfis e páginas, e proibidas de indicar outros canais e vídeos de conteúdo político por meio do algoritmo.


Inquérito


De acordo como o inquérito administrativo da Polícia Federal, os perfis investigados espalham conteúdos sobre supostas fraudes no processo eleitoral. As práticas são baseadas nas declarações do presidente Jair Bolsonaro sobre uma suposta falta de confiabilidade das urnas eletrônicas.


O ministro ressaltou em sua decisão que os perfis também promovem ataques constantes ao Tribunal Superior Eleitoral e ao Supremo Tribunal Federal, "atribuindo-se a esses órgãos práticas ilegais e conspiracionistas, sem nenhum respaldo fático, com acusações fantasiosas sem conexão com a realidade dos fatos", apontou.


Por fim, Salomão destacou que a decisão não impede o livre trânsito de ideias, mas apenas "retira a possibilidade momentânea de aferição de lucro por meio de desinformação". Segundo ele, a intenção é evitar que "pessoas imbuídas de propósitos questionáveis" continuem ganhando dinheiro por meio de ataques sem qualquer prova: "A desestabilização do regime democrático não pode jamais servir de fonte de renda a quem se beneficia desses atos", concluiu.


Da Redação

Com informações de O Globo

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