Após 20 anos, consideradas extintas na natureza, Ararinhas azuis são reintroduzidas na Caatinga



Cientistas, instituições governamentais, população e imprensa regional, nacional e internacional estavam presentes no último sábado, 11 de junho, em Curaçá, região norte da Bahia, quando 8 ararinhas azuis foram reintroduzidas no seu habitat natural após 20 anos consideradas extintas no sertão baiano. Mais 12 serão soltas durante o ano.


De acordo com as informações da assessoria de comunicação a serviço da Blue Sky Global e sua extensão no Brasil, a Blue Sky/Caatinga, a Association for te Conservation of Threatend Parrots (ACTP), de Berlim, na Alemanha, em acordo de cooperação internacional com o Instituo Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade – ICMBio foi fundamental para a concretizçaão do projeto. Os cientistas e criadores conseguiram durante esse tempo aumentar a população de ararinhas-azuis de 55 no ano de 2000 para 261 animais saudáveis em 2022.


Após a soltura, que ocorreu no início da manhã, com público restrito, para garantir a segurança das aves, a equipe participou de uma coletiva de imprensa, que contou também com a presença da comunidade no Teatro Raul Coelho, na sede do município.


O evento foi iniciado pelo artista Fernandinho e a Galeota das Artes, que recepcionaram os presentes com autênticos forrós e também uma música em homenagem à Ararinha-azul. Logo depois, o vídeo oficial do momento da soltura foi exibido, emocionando a todos os presentes.


Confira as imagens da soltura das Ararinhas Azuis:


Coletiva de imprensa


Participaram da coletiva o presidente do ICMBio, Marco Simanovic; o diretor de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade do ICMBio, Marcos Aurélio Venâncio; o diretor da Association for the Conservation of Threatend Parrots (ACTP), Dr. Cromwell Purchase; o diretor da Blue Sky Global, Hagen Kahmann; Marizângela Dias de Coelho, gerente do Banco do Nordeste de Juazeiro; a diretora de Sustentabilidade e Conservação do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia, Jeane Tavares Florence; o diretor da Paira Daiza Foundation, Tim Balts; o diretor da Bluesky Caatinga, Ugo Vercillo; a Coordenadora executiva do Plano de Ação das Ararinhas Azuis do ICMBio, Camille Lugarini.


De acordo com o diretor da ACTP, Cromwell Purchase, o momento era de celebração. “Depois de anos dando tudo por este projeto, nós finalmente demos o pontapé inicial para que possamos ouvir o canto das ararinhas-azuis ecoando novamente na Caatinga”.


Sentimento dividido com o Presidente do ICMBio, Marcos Simanovic, que, além de destacar o trabalho árduo dos últimos anos para a reintrodução das ararinhas-azuis, também falou sobre a responsabilidade de todos na fiscalização das ararinhas-azuis em seu habitat. “Tenho certeza que todos nós que estamos aqui hoje vamos ser fiscais para que ninguém mal intencionado queira pegar as ararinhas-azuis novamente. Além disso, todas as aves são monitoradas e possuem chips para que possamos seguir com elas em nosso radar”, explicou.

Coletiva de Imprensa: Presidente do ICMBio - Marco Simanovic.

O diretor da Blue Sky Global, Hagen Kahmann, também comentou sobre o trabalho árduo até o dia de hoje se tornar realidade. “Após um caminho árduo, estamos aqui hoje fazendo o que ninguém imaginava ser possível. O projeto vai além da soltura das ararinhas-azuis, mas também dar suporte às comunidades da caatinga, ajudando na manutenção da biodiversidade local”, diz.


Após a coletiva, outro momento simbólico marcou a data. O Diretor da Blue Sky Global, Hagen Kahmann, o presidente do ICMBio, Marco Simanovic e a gerente do Banco do Nordeste de Juazeiro, Marizângela Dias, assinaram uma Carta de Intenções para garantir a segurança hídrica, energética e ambiental da região onde as ararinhas-azuis residem e o seu entorno.


O dia foi finalizado com apresentações culturais de Curaçá, além da participação da comunidade indígena Tumbalalá.


Projeto de Soltura da Ararainha Azul


O termo de cooperação técnica internacional é, em longo prazo, uma excelente oportunidade para pessoas e animais. O Projeto de Soltura da Ararinha Azul promove o repovoamento das ararinhas e de inúmeros outros habitantes na área, além de representar somente uma parte de um programa da biodiversidade e da agricultura familiar das comunidades. Cerca de 7.500 crianças de escolas da localidade foram ensinadas sobre o projeto e orientadas para defenderam a vida selvagem e o ecoturismo.


Mais informações sobre a Ararinha-azul


A ararinha-azul ficou reconhecida após aparecer no filme “Rio”. O animal foi descoberto há cerca de 200 anos pelo ambientalista alemão Johann Baptist von Spix. O habitat natural delas é a Caatinga baiana localizadas na cidade de Curaçá e uma pequena parte do território de Juazeiro, ambas no norte da Bahia.


Hoje, a ararinha-azul é uma das aves mais raras do mundo. Sua coloração azul fez com que ela se tornasse um alvo para o tráfico animal no passado. Aliada a destruição do habitat natural pelos homens, a população das ararinhas foi caindo drasticamente nas décadas de 80 e 90. Em 1990, somente um animal vivia na natureza. Dez anos depois, a espécie foi declarada oficialmente extinta pela International Union for Conservation of Nature (IUCN). Somente um pequeno número de aves sobreviviam em propriedades privadas e a reprodução destes animais parecia impossível, uma vez que as dificuldades de manter uma diversidade genética neste pequeno grupo era enorme.


Da Redação com informações da Ascom BlueSky

Imagens: Ararinhas -azuis: Thibaut Thys / ACTP

Vídeo: ACTP